“A gente quer inteiro e não pela metade”: Câmara Municipal de Cuiabá sediou as discussões acerca do direito ao passe livre estudantil

Acervo fotográfico Mário Nadaf
Estudantes em protesto pelo passe livre estudantil
Estudantes em mobilização pelo passe livre

Atualmente, nota-se que um dos mais importantes direitos conquistados em nossa sociedade é o que torna possível à formação básica completa de maneira democrática, isto é, o passe livre estudantil. Observa-se, que a gratuidade, no que se refere ao transporte público coletivo, assegura o acesso a um direito fundamental, como é o caso da educação dentro e fora das salas de aulas, por exemplo: a visita a museus, bibliotecas, espaços culturais, dentre outros. Em Cuiabá, esse programa social passou a vigorar há mais de 20 anos, colocando a cidade no rol dos seletos municípios que contemplam os estudantes com esse benefício.

No dia 17 de dezembro de 2001, foi aprovada a lei de autoria do Executivo Municipal que instituiu o passe livre estudantil no sistema de transporte coletivo da capital mato-grossense. No entanto, a luta por esse direito antecede em muitos anos a data de sua aprovação.

Em meados da década de 1990, as escolas que ofertavam Ensino Médio em Cuiabá se encontravam localizadas, em sua maioria, na região central da cidade, o que dificultava a formação básica completa dos cidadãos. Ainda nesse período, os alunos pagavam 50% do valor da passagem, o que ajudava, porém não resolvia o problema do alto índice de evasão escolar.

Em entrevista com o vereador Mário Nadaf, foi relatado pelo parlamentar que, a partir de sua vivência enquanto professor da rede pública, era notável que a meia passagem passou a não ser suficiente para o orçamento dos estudantes, resultando então em uma necessidade social a gratuidade de transporte. Ao ingressar na vida política, em fins da década de 1990, Nadaf abraçou essa causa estudantil, dando inicio à discussão dessa problemática dentro da Casa de Leis de Cuiabá, uma vez, que em sua opinião, o passe livre era um instrumento contundente para combater a evasão escolar. Disse, que durante esse processo, o trecho de uma canção da banda Titãs se tornou emblemático: “A gente quer inteiro e não pela metade”.

Sempre em consonância com as demandas sociais, em especial os movimentos estudantis, a Câmara Municipal de Cuiabá sediou durante anos a discussão acerca do passe livre; a começar pelo vereador Mário Nadaf que chegou a fazer parte de uma comissão especial, em 1998, em conjunto com os edis Moacir Pires, Augusto Taques, Ivan Evangelista e Lueci Ramos, visando estudar o projeto de lei que tinha por objetivo instituir o passe livre no município. Embora a comissão tenha demonstrado a viabilidade econômica do projeto e sugerido diretrizes de funcionamento, ainda haveria alguns anos até que, finalmente, os estudantes conquistassem o direito ao transporte gratuito.

O ano de 2001 foi marcante no que se refere à luta pelo benefício. Nesse período, o então vereador Totó Parente, que durante sua jornada esteve ativamente envolvido com causas estudantis, apresentou à Câmara Municipal, um projeto de lei com vistas à implementação do passe livre estudantil na capital. O jornal Diário de Cuiabá noticiava frequentemente os desdobramentos desse processo. De acordo com esse veiculo de comunicação, embora não tivesse maioria de votos favoráveis na Casa para a aprovação do beneficio, o vereador Totó Parente contava com grande apelo social.

Em 19 de abril de 2001, o jornal noticiou o acontecimento de uma grande manifestação estudantil que tomou a Praça Alencastro, contando com cerca de 3 mil estudantes, sendo a maioria secundaristas pertencentes a 35 escolas públicas. Ainda nesse dia, os alunos se deslocaram até a Câmara Municipal em ato organizado para demandar a aprovação do projeto de lei. As manifestações continuaram a ocorrer durante todo o ano de 2001, até que, no mês de dezembro, a Prefeitura sancionou a lei nº 4.141/01, instituindo a gratuidade de transporte público aos estudantes.

         A conquista do passe livre estudantil em Cuiabá é uma clara demonstração da proximidade entre os vereadores e a população – uma vez que cada parlamentar é representante direto do povo, devendo atender a suas demandas e legislar para todos. Outro ponto notável desse processo diz respeito ao fato de, devido essa proximidade com a sociedade, as câmaras municipais se tornam uma “caixa de ressonância” dos anseios populares.

 

Thalyta Albernaz Siqueira e Thauanny Guimarães Silva (Estagiárias do Núcleo de Cultura, Resgate Histórico e Eventos da Câmara de Cuiabá), sob a supervisão de Danilo Monlevade.

 

Fontes de Pesquisa:

Arquivo Geral da Câmara Municipal de Cuiabá.

Entrevista com o vereador Mário Nadaf realizada em 1º de maio de 2022.

Jornal Diário de Cuiabá, ed. de 19/04/2001 e ed. De 16/03/2001.

 
Compartilhar
Imprimir  Imprimir
Rodape