Na semana em que se comemora os 150 anos do nascimento do ilustre militar e sertanista matogrossense Cândido Mariano da Silva Rondon, a Secretaria Especial de Apoio à Cultura e ao Resgate Histórico, rememora a Sessão Solene realizada na Câmara Municipal de Cuiabá, no dia 5 de maio de 1965, quando se celebrou o centenário de Rondon.
ATA DA SESSÃO SOLENE REALIZADA A 5 DE MAIO DE 1965
Sessão Solene sob a Presidência do vereador Benedito Pedro Dorilêo. Dentre os convidados, estavam o representante do Governo do Estado; Major Roberto Nunes, representante do 16º BC; Capitão Silvio Duarte, representante da Polícia Militar do Estado; Sr. Odorico Tocantins e dona Aline Tocantins, amigos do homenageado; Dr. Edgar Sardi de Figueiredo, Vice-Prefeito, representando o Poder Executivo Municipal.
O Presidente Benedito Dorilêo frisa que Cuiabá se representa coberta de glórias neste 5 de maio em que comemora o centenário de Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon, e que na presente Sessão estavam os vereadores reunidos, sacerdotes do civilismo, para saudar e homenagear aquele homem que sobredoura as páginas da História da Pátria.
Estava presente o professor Francisco Ferreira Mendes, representante do Instituto Histórico de Mato Grosso. Francisco Mendes, referindo-se aos intelectuais portugueses, transcreve suas ideais, afirmando que "para ser um homem rememorado no livro de ouro dos juízes contemporâneos, em que registra a glória, é mister, que além da campa, o estejam canonizado, em clamores eloquentes, os próprios merecimentos e as virtudes pessoais". Lembra que os atenienses da Grécia Clássica qualificavam os semideuses pela sua superioridade física e coragem, juízo que se transmitiu a nossa era através de romancistas e poetas. Diferente, "Cândido Rondon é lembrado pelos seus feitos, e por isso reverenciado no respeito do povo brasileiro".
Francisco Mendes lembra que de família humilde, "quantos títulos pode haver de autoridade, de prestígio e de grandeza reunidos na pessoa do Marechal Rondon", cujos méritos, seus conterrâneos celebram entre honrarias cívicas, como ocorria naquele dia na Câmara Municipal. O professor acentua que aquele ato excepcionalmente, a Sessão Solene, é indispensável a ligação entre o passado e o presente, na projeção do futuro, em busca do aperfeiçoamento da civilização futura, na marcha para o porvir. O obra de Rondon pelos sertões do Brasil fora uma "epopeia", que enaltece a alma nacional. Recorda ainda dos humildes patrícios que estiveram ao seu lado, de pés no chão, abandonados no meio rural, vezes ridicularizados, mas que foram o braço forte de Rondon na realização de seus feitos, que o Mundo celebrou. Por fim, o Professor Francisco Mendes frisa que "Rondon permanecerá eterno através dos séculos, símbolo vivo de uma estirpe varonil, exemplo de civismo e amor, alma unificadora da honra e da dignidade da terra do Brasil". Livre a palavra, o vereador José Leite de Figueiredo agradece as palavras do Professor Francisco Ferreira Mendes, e apresenta uma série de cartas redigidas por Rondon, que pertencem ao pai de seu vizinho, que fora companheiro de Rondon, e ainda agradece a Mato Grosso, Cuiabá, e aos Estados Unidos, que reverenciam Rondon como o maior sertanista do século XX. Saúda o Sr. Odorico Tocantins, amigo de Rondon, como ainda dona Aline Tocantins, que tantas vezes serviu café ao grande "Marechal da Paz". Diz por fim, que Rondon é Cuiabá, e Mimoso é o Brasil.
O Presidente Benedito Dorilêo dá fim a Sessão Solene, agradecendo aos presentes e ao Todo Poderoso pelo benefício que deu ao Brasil nos cedendo Rondon.