Câmara Municipal de Cuiabá
Em audiência pública sobre a decisão do governo do Estado de trocar o modal de transporte de Veículo Leve Sobre Trilhos para o Bus Rapid Transit (BRT), realizada na Assembleia Legislativa nesta quinta (4), a vereadora Edna Sampaio (PT) classificou como monocrática a maneira pela qual o governo do Estado está conduzindo a questão.
A decisão foi anunciada por Mendes em dezembro do ano passado. Entre seus argumentos estaria a economia. Edna Sampaio, no entanto, questionou as razões e interesses por trás da mudança na obra, que já custou mais de R$ 1 bilhão aos cofres públicos, e não emitiu posição sobre o melhor modal, avaliando que é preciso mais informações e que qualquer tipo de escolha deve levar em conta o interesse público.
“Não aceitaremos decisão monocrática, autoritária, sem consultar o parlamento municipal, o poder executivo municipal e a população cuiabana, que é quem de fato vai pagar a transferência, a mudança desse modal ou a permanência dele, e vai pagar com a sua vida, inclusive, a permanência de uma política de transporte coletivo que tira parte significativa da renda dos mais pobres para que eles possam se mobilizar”, disse ela.
A vereadora cobrou respeito às instituições, afirmando que “a democracia ainda não foi abolida neste país” e apontou motivações políticas que justificariam a mudança de modal. “Gostaria muito que o Estado, remotamente ou aqui presente, pudesse apresentar as razões da sua escolha, porque essas razões precisam ser tornadas públicas. Não há escolha técnica sem interveniência das posições políticas. A técnica é apenas auxiliar nas decisões que nós precisamos tomar e a escolha política tem que ser aquela que beneficia o povo cuiabano”.
Ela questionou sobre a posição do corpo técnico que primeiramente aprovou a viabilidade do VLT e, agora, aponta as vantagens do BRT, e criticou a escassez de dados técnicos que subsidiem a decisão do governo. “Gostaria de saber quais as razões técnicas que fizeram com que o governador tomasse a decisão política de voltar atrás. Por que é que o mesmo técnico que apresentou a viabilidade do VLT na primeira vez, agora apresenta a viabilidade do BRT. A quais interesses políticos e mercadológicos serve a mudança desse modal?”, disse ela.
 “Quem são os grupos envolvidos na construção do VLT? Nós precisamos saber, precisamos ter as respostas que são técnicas e também políticas para que possamos efetivamente exarar o nosso parecer enquanto casa legislativa e enquanto poder executivo a respeito dessa política”.
A vereadora criticou o que considera visão mercantilista dos gestores e do empresariado, baseada na ideia de “transporte como mercadoria, fatia de mercado entregue a empresários que, às vezes, exercem o monopólio empresarial desta capital e que, portanto, podem arbitrar as passagens de coletivo ao seu bel-prazer”.
Defendeu uma política pública de transporte e ressaltou o risco de que os mais pobres novamente paguem a conta.
“Nós, trabalhadores e trabalhadoras não podemos ser penalizados. Já estamos com salários congelados, já somos, nós servidores públicos, colocados como grande problema da administração pública e temos sofrido na carne o que tem sido um governo que despreza os servidores públicos e que agora quer colocar de forma unilateral o modal de transporte”, argumentou.
Neusa Baptista Pinto / Assessoria de Comunicação da Vereadora Edna Sampaio
Mandato Coletivo pela Vida e por Direitos