A Câmara de Cuiabá vai instituir uma Comissão Especial de Prevenção e Alerta Contra Desastres Naturais, para atuar em conjunto com a Defesa Civil da Capital e do Estado. A decisão partiu do presidente da Mesa Diretora do Legislativo, vereador Júlio Pinheiro (PTB), a partir da confirmação de que aproximadamente cinco mil famílias vivem em áreas de risco, passíveis de inundações, deslizamentos e trombas d’água, na Região Metropolitana de Cuiabá. O presidente da Câmara recorda que, em abril de 2001, foram registradas 19 mortes, sendo 15 em Cuiabá e quatro em Várzea Grande, por conta de uma forte tromba d’água que arrastou pessoas, animais, carros e até casas às margens dos córregos. “Não podemos permitir que isso se repita”, observa ele, citando o exemplo da tragédia que se abate sobre a região serrana do Rio de Janeiro. A Prefeitura precisa, ainda, segundo Pinheiro, finalizar a identificação das áreas de risco. Somente em Cuiabá, existem quase três mil famílias vivendo em áreas consideradas de alto e médio risco de tragédia. Júlio Pinheiro defende que todas devem ser retiradas desses locais e transferidas para construídas pelo Governo do Estado, até 2014. “A partir de seu início de funcionamento, a Comissão Especial da Câmara vai estar de prontidão junto com o Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil para atuar caso seja necessário”, garante Pinheiro. Nas últimas semanas, na Capital, as chuvas atingiram principalmente os bairros São Mateus, Jardim Passaredo, Praeirinho e Parque Geórgia. Casas construídas ao lado de córregos, como o Mané Pinto, Gambá, Gumitá e Três Barras, são as que mais estão sob risco. Júlio Pinheiro disse que a Comissão Especial da Câmara pretende ter, também, acesso ao cruzamento de dados meteorológicos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Em fevereiro, após o início do ano legislativo, a Câmara irá visitar a unidade do Inpe, em Cuiabá, instalada atrás do Palácio Paiaguás, no Centro Político e Administrativo (CPA). Pínheiro crê que, em Mato Grosso, o Inpe precisa, ainda, contribuir para a identificação das áreas de risco e ampliar a cobertura de satélites, radares e equipamentos medidores de chuva. Ronaldo Pacheco