O Dia do Pantanal: o “quintal" do poeta cuiabano Manoel de Barros

Poeta Manoel de Barros
Manoel de Barros

O Dia do Pantanal é comemorado no dia 12 de novembro. A data foi instituída em 2008 pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), em homenagem ao ambientalista Francisco Anselmo de Barros, que morreu em um ato público em defesa do bioma, no dia 12 de novembro de 2005, na cidade de Campo Grande – MS.

O Pantanal é a maior planície alagável do mundo. Ele abriga uma rica biodiversidade em uma área total de 195 mil quilômetros quadrados, sendo 62% em território brasileiro, inclusive na região sul do Estado de Mato Grosso. O nosso rio Cuiabá é um dos principais rios que abastecem essa planície, alagando-a e, assim, ajudando na manutenção das belezas pantaneiras. Visitado por turistas de todos os cantos do mundo, ali se encontram, entre a fauna e a flora, as marcas da cultura do pantaneiro.

Essa riqueza natural e cultural encontrada no Pantanal serve e serviu como inspiração para muitos poetas. Um deles foi Manoel de Barros, um cuiabano nascido em 1916, na região do Porto. Ainda criança, ele foi para a cidade de Corumbá e, em seguida, para Campo Grande. Graduou-se em Direito no Rio de Janeiro, envolvendo-se com o movimento estudantil e iniciando os seus primeiros trabalhos literários. Com a morte do pai, herdou a fazenda da família em Corumbá, tornando-se fazendeiro por obrigação. Passou, então, a viver o cotidiano do Pantanal, que se tornaria a principal inspiração para a sua vasta literatura, premiada nacionalmente por diversas vezes. O reconhecimento pela qualidade de suas obras fez com que o poeta Carlos Drummond de Andrade recusasse o título de maior poeta vivo do Brasil em favor de Manoel de Barros.

Para celebrar o Dia do Pantanal e considerando que esta coluna apresenta a cultura e a memória da nossa região, transcrevemos alguns versos de Manoel de Barros com forte inspiração no seu dia a dia pantaneiro:

 

“Quem anda no trilho é trem de ferro, sou água que corre entre pedras: liberdade caça jeito.”

 

“Natureza é uma força que inunda como os desertos.”

 

“Deixei uma ave me amanhecer.”

 

“Para encontrar o azul, eu uso pássaros.”

 

“O voo de um jaburu é mais encorpado do que o voo das horas.”

 

“A elegância e o branco devem muito às garças. Elas chegam de onde a beleza nasceu?”

 

“As horas bíblicas deste recanto invadem nossa infância e enriquecem nossos poemas.”

 
 
Secretaria de Apoio à Cultura
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