Duzentos anos depois da lavratura dessa ata, por iniciativa do bispo católico Dom Aquino Corrêa, na época governador de Mato Grosso, o dia 8 de abril foi oficializado como a data de aniversário de Cuiabá. Percebe-se que tal fato ocorreu exatamente no bicentenário da cidade (1919). Os historiadores entendem que tal gesto do governador foi uma das tentativas de resgate da importância de Cuiabá para Mato Grosso. Sabe-se que a cidade vinha tendo o seu título de capital do Estado questionado pelas forças políticas do sul, que entendiam Cuiabá como uma cidade de economia e cultura atrasadas para a época.
Feita essa resumidas, mas importante explicação a respeito da escolha do dia 8 de abril como aniversário de Cuiabá, passo a apresentar o resultado da pesquisa realizada nas atas das sessões da Câmara Municipal de Cuiabá. Verificamos, ao longo dos anos, a realização de periódicas Sessões Solenes, Especiais e Extraordinárias com o propósito de comemoração do aniversário de Cuiabá, repletas de discursos de vereadores enaltecendo a história da cidade e tratando dos desafios que ela enfrentava e enfrentaria.
Muito embora a primeira sessão comemorativa encontrada na pesquisa seja do ano de 1951, o primeiro discurso registrado é somente do ano de 1959. No dia 8 de abril desse ano, a vereadora Maria Nazareth Hahn lembrou dos heróis da cidade, como o bandeirante Pascoal Moreira Cabral e o Marechal Rondon. Cinco anos depois (1964), o vereador Lourival Moreira afirmava que “o passado da cidade era pontilhado de heroísmo, de amor à terra e de um povo simples e trabalhador”. Na mesma sessão, a vereadora Ana Maria do Couto fez uma analogia simbólica entre a cidade e um rio, afirmando que, “da mesma forma que um rio cresce na medida em que se aproxima do oceano, o mesmo aconteceria com Cuiabá — uma cidade que tinha todos os predicados para um grande desenvolvimento ao longo dos anos”.
Já em 1969, nos 250 anos de Cuiabá, o vereador Joaquim Lobo Duarte lembrou das dificuldades enfrentadas para a manutenção de uma cidade tão distante dos grandes centros, mas ressaltou a sua participação para o engrandecimento do Brasil. Não há registro de discursos nas sessões de aniversário nas décadas de 1960 e 1970; talvez por uma opção do taquígrafo em não transcrever a fala dos vereadores, e não pela ausência delas. Vale destacar, no contexto das comemorações desse período, a oficialização do hino de Cuiabá um dia antes da sessão de 8 de abril de 1962, a não realização do evento em 1970 por falta de recursos (segundo alegação do presidente Evaldo Duarte de Barros) e, em 1974, por conta da catastrófica enchente do Rio Cuiabá.
Na década de 1990, o crescimento populacional de Cuiabá fez com que os vereadores atentassem mais aos desafios que a cidade enfrentava. O vereador Antônio Augusto Guto de Carvalho, em 1991, falou do problema do esgoto que castigava a população. Já o vereador Aurélio Augusto Gonçalves da Silva trouxe, em seu discurso, a necessidade de preservação da riqueza natural da cidade, em especial do Rio Cuiabá. Na mesma oportunidade, o vereador João Antônio Cuiabano Malheiros cobrou dos governantes a realização de políticas públicas para os mais necessitados, em uma cidade em forte desenvolvimento econômico. No ano de 1996, o vereador Barão Viegas alertou sobre a necessidade de melhoria das condições de vida da população por meio do incremento da infraestrutura. Nas décadas de 2000 a 2020, os vereadores voltaram a resgatar a história de Cuiabá e adotaram a prática de entrega de honrarias às personalidades que prestaram bons serviços à capital.
Na ocasião dos 306 anos da cidade, a Câmara Municipal de Cuiabá reúne forças em prol do contínuo desenvolvimento da capital, com vistas à melhoria da qualidade de vida da população cuiabana e à justiça social. Deseja-se que a população contribua continuamente pois, como disse o vereador Lourival Moreira em 1964, “possuímos um passado de heroísmo e um presente de trabalho honrado e destemido do povo cuiabano”.
Fonte de pesquisa:
Arquivo Geral da Câmara Municipal de Cuiabá.