Após passar mais de três séculos como uma colônia de exploração, sob o domínio econômico e político de Portugal, o Brasil proclamou a sua independência no dia 7 de setembro de 1822. Muito embora o poder permanecesse nas mãos de um cidadão português, herdeiro do trono de Portugal, o gesto do príncipe regente Pedro de Alcântara (futuro D. Pedro I) foi um marco determinante de ruptura.
Havia um movimento em Portugal, após a Revolução Liberal do Porto (1820), para que iniciasse um processo de recolonização do Brasil, de maneira branda e participativa, mas verdadeira, legal e oficial. Muito embora o gesto do príncipe tenha atendido ao interesse da Família Real e das elites brasileiras – bem diferente dos processos emancipatórios ocorridos nas colônias espanholas da América, onde houve a participação popular –, a independência brasileira foi bem recebida por todos e por isso festejada.
Consta nos Anais da Câmara de Cuiabá, segundo o historiador Estevão de Mendonça, que a notícia da independência chegou na Vila de Cuiabá no início do mês de janeiro do ano seguinte (1823), e foi na Câmara que “reuniram autoridades, clero e abundante povo no dia 22 de janeiro a fim de festejar, com entusiasmo e satisfação, a independência do Brasil e o seu futuro imperador e defensor perpetuo: D. Pedro de Alcântara”.
Diz o historiador que em um momento naquela reunião, o presidente da Câmara, o Alferes José Azevedo, aproximou-se de uma janela do prédio e, com o auxílio do vereador Capitão José Pereira dos Guimarães, desenrolou uma bandeira e exclamou: “Viva o Imperador Constitucional do Brasil, seu perpétuo defensor, viva a Imperatriz, sua augusta esposa, viva a augusta descendência de suas majestades”. Em seguida, continuou: “Viva a independência do Brasil, Viva o povo do Brasil”. As inúmeras pessoas da vila que assistiam repetiram por vezes os vivas proclamados pelo presidente da Câmara.
Para perpetuar esse acontecimento em Cuiabá, foi bem posteriormente editada uma lei, datada de 20 de novembro de 1880, declarando feriado local o dia 22 de janeiro, mas ela foi revogada no ano de 1938. Já o dia 7 de setembro, do Grito do Ipiranga, tornou-se um feriado nacional somente no ano de 1949, no governo do Presidente cuiabano Eurico Gaspar Dutra.
O ato do príncipe regente completará 203 anos no próximo domingo. Ele é um marco histórico a ser comemorado e respeitado, pois mesmo que tenha sido um movimento da elite e para a elite, o Brasil agiu corajosamente, impondo a decisão de livrar-se das cordas seculares de submissão colonial.
Danilo Monlevade
Secretaria de Apoio à Cultura
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Fonte de pesquisa:
Arquivo Geral da Câmara Municipal de Cuiabá.
MENDONÇA, Estevão de. Datas Mato-Grossenses. Niterói: Escola Typ. Salesiana, 1919.