A história desse monumento remonta a 1966. Registros das atas das sessões legislativas da Câmara Municipal de Cuiabá informam que, em 10 de junho daquele ano, o engenheiro Cássio Veiga de Sá compareceu a uma Sessão Extraordinária a fim de fazer uma exposição sobre a construção da nova sede da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso. Na oportunidade, o engenheiro apresentou uma maquete aos vereadores e pediu para que autorizassem – o mais depressa possível – a doação da área da praça Moreira Cabral para a construção do prédio do Legislativo estadual e de “um vistoso obelisco”.
O engenheiro expressou o desejo de tornar “aquele local mais aprazível, criar nele um ambiente de amizade e confraternização pan-americana, pois era o centro geográfico da América do Sul”. Ponderou que resolveu edificar um monumento à confraternização das Américas – um majestoso obelisco – “simbolizando aquele clima onde as guerras desapareceram e as fronteiras tornaram-se definidas”. Após a apresentação, os vereadores analisaram o pedido e a doação da área foi autorizada em duas sessões subsequentes, sendo a lei oficializada no dia seguinte.
Como referido no início do texto, a inauguração deu-se no dia 15 de novembro de 1973; por isso, no próximo 15 de novembro de 2023 comemoraremos o seu 50º aniversário. A solenidade de inauguração foi concorrida, afinal, aquele era um monumento simbólico de caráter internacional. O evento começou às 15 horas, debaixo do costumeiro sol escaldante da cidade. Estavam presentes o governador do Estado, José Fragelli, deputados estaduais, o prefeito de Cuiabá, José Villanova Torres, o arcebispo metropolitano, comandantes militares, o presidente da Câmara Municipal de Cuiabá, Joaquim Lobo Duarte, representantes de alguns países sul-americanos, diversas autoridades, personalidades locais e populares.
O jornal O Estado de Mato Grosso registrou dois discursos da solenidade: o primeiro do governador e o segundo de Carlos Manini, embaixador do Uruguai. Fragelli afirmou que aquele monumento era um ideal de união, de paz e congraçamento, patrimônio moral e cívico das nações sul-americanas. Desejava-se uma missão comum entre os países: ultrapassar a pobreza, o atraso e o subdesenvolvimento, atingindo o desenvolvimento e a felicidade dos povos do subcontinente. Por sua vez, o embaixador uruguaio destacou que Cuiabá era o “centro do coração do Brasil Novo”. Sendo o coração do Brasil, a cidade seria o coração da América do Sul. Carlos Manini disse ter conhecido o rio Cuiabá, cujas águas, de acordo com ele, “rolam velozes pelo chão brasileiro, indo desaguar no Paraguai, banhando a Bolívia até o Rio da Prata, vinculando os países de forma efetiva, como se fosse o próprio sangue do coração da América a unir a todos pelos princípios da fraternidade”.
Dando continuidade à solenidade, assistiu-se ao hasteamento de 11 bandeiras, içadas pelos representantes de países presentes e, as faltantes, por personalidades locais – cada uma ao som do respectivo hino, executado pelas bandas do 16º Batalhão de Caçadores e do 1º Batalhão de Polícia Militar de Mato Grosso. O Suriname e a Guiana Francesa não tiveram seus estandartes hasteados por não serem, à época, nações independentes. Após a cerimônia, os presentes seguiram para o prédio da Assembleia Legislativa, oportunidade na qual o prefeito Villanova Torres entregou medalhas alusivas ao evento às autoridades internacionais.
A Câmara Municipal de Cuiabá tem a sua sede na praça Moreira Cabral – onde se ergue o obelisco –, e decidiu comemorar o meio século desse monumento, símbolo da confraternização dos povos sul-americanos. A atual gestão acredita na relevância de Cuiabá no contexto do continente. Os moradores da capital sabem que têm o privilégio de viver no centro geodésico da América do Sul, marco que deve significar não só um ponto geográfico, mas o local de confluência de povos, que após séculos exploração colonial, tornaram-se independentes por suas próprias forças. Ao celebrarmos os 50 anos do obelisco, renovamos o compromisso de nos aproximarmos dos nossos vizinhos sul-americanos e buscar objetivos comuns para o engrandecimento do continente.
Danilo Monlevade
Secretaria de Apoio à Cultura
memoria@camaracuiaba.mt.gov.br
Fontes de pesquisa:
Jornal O Estado de Mato Grosso, ed. 6.666, 6.677, 6.675 e 6.676.
Livro Ata nº 21 – Arquivo Geral da Câmara Municipal de Cuiabá.