Vereadora denuncia exclusão social dos mais pobres e privatizações

Secom CMC

Durante a sessão ordinária realizada quinta-feira (7), a vereadora Edna Sampaio (PT) voltou a cobrar do Executivo Municipal a criação de políticas de transferência de renda e de combate à fome na Capital, onde mais de 20 mil famílias vivem em situação de miséria.

Ela também cobrou dos parlamentares uma discussão mais crítica sobre o orçamento público que, segundo ela, está sendo “compartilhado” com empresas que prestam maus serviços, e citou como exemplo a taxa de esgoto cobrada pela concessionária Águas Cuiabá, que é de 90% sobre o consumo de água.

“Isso é um absurdo, que deveria ser sustado imediatamente pelo poder público municipal. Esta Casa deveria notificar o prefeito. Não é possível que a empresa, que foi privatizada, à época, por R$ 35 milhões, hoje, além&nbsp de ganhar o que os cofres públicos repassam, ainda tenha lucro sobre os míseros salários dos trabalhadores”, comentou.

A parlamentar é autora de projeto de lei de sua autoria que condiciona a cobrança da taxa de esgoto à medição do volume de resíduos lançados na rede coletora, que seja aplicada a tarifa mínima quando não houver medidor na residência e que se proíba a taxação onde o serviço não é prestado. Ela também ingressou com representação junto ao Ministério Público Estadual (MPE) pedindo a anulação da cobrança.

Fazendo referência ao aniversário de Cuiabá, a vereadora salientou que os mais pobres, descendente dos povos indígenas e negros, vivem hoje a continuidade do processo de exclusão que sofreram ao longo da história. “Estamos exilados em nossa própria terra. Quantos de nós não são considerados cidadãos de uma cidade pujante, rica e tão desigual?", comentou.

"Há muitos desvalidos, que têm sede e fome de justiça, milhares de pessoas que padecem, ainda que esta seja uma gestão que se diz humanizada. Onde está a humanidade desta Casa e da Prefeitura de Cuiabá, que permitem aos mais pobres pagar o preço&nbsp do enriquecimento das empresas e dos serviços terceirizados?”, disse.

Ela criticou a terceirização de um bem essencial como a água. “Isso não deveria existir. Os mais pobres não podem pagar pela riqueza dos que lucram com a pobreza, nem pela inoperância desta Câmara e do poder executivo”.

“É triste que, neste 8 de abril, aniversário da nossa querida capital, dos cuiabanos como eu, descendentes de indígenas, do povo negro, dos migrantes que fizeram a riqueza deste território, mas também produziram muita pobreza e continuam produzindo, excluindo nosso povo e tornando-os exilados em sua própria terra, sem direito e cidadania. Até quando vamos conviver com Cuiabá e o Estado totalmente privatizados por empresas&nbsp que lucram prestando serviços de péssima qualidade, abocanhando parte significativa do orçamento público?”.

A parlamentar ressaltou a responsabilidade do governo do estado na terceirização sem critério, citando o caso de uma escola estadual visitada por ela na manhã desta quinta, onde constatou que servidores contratados por&nbspmeio de terceirização estão recebendo vencimentos abaixo do salário mínimo.

“É um absurdo o que os governos que representam os interesses das empresas estão fazendo com os cidadãos deste município. Precisamos denunciar, fiscalizar e dizer que a responsabilidade pela melhoria da condição de vida dos cuiabanos não é apenas da prefeitura - que está fazendo uma gestão muito ruim, não se pode negar - mas também do Governo do Estado.&nbspSe o município é ruim, o Estado é péssimo, pois vira as costas para o cidadão”, completou.

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