Vereadora apresenta projeto que visa multar agressores de mulheres

Secom Câmara

A vereadora Edna Sampaio (PT) lamentou a rejeição do projeto de lei de sua autoria que determinava &nbspa aplicação de multa administrativa no valor de R$ 15 mil ao autor de violência doméstica e familiar (lesão, violência física, sexual ou psicológica, dano moral ou patrimonial).&nbsp

O PL, que tramitava desde o ano passado, estipulava que os valores recolhidos seriam destinados a políticas públicas de redução e erradicação da violência doméstica e familiar.

Parecer da Comissão de Constituição, Justiça e Redação da Câmara (CCRJ) pela rejeição da matéria foi acatado pela maioria dos vereadores presentes à sessão ordinária desta quinta (18) e o PL segue para arquivo, só podendo ser reapresentado no próximo ano.&nbsp

A vereadora discordou do parecer, que considerou que a matéria não era de competência do executivo municipal e que não caberia ao legislativo municipal tratar do tema.&nbsp Ela lembrou que a lei Maria da Penha estabelece as competências dos entes federados para atuar no fortalecimento das políticas de combate à violência contra a mulher.

A vereadora apontou a redução da capacidade legislativa da Câmara, indicando que é necessário discutir a real competência da instituição e seu dever de produzir leis para proteger a vida, salientando que, apesar do esforço que tem feito, tem sido sistematicamente impedida de legislar, assim como os demais pares.&nbsp
“Afinal de contas, não podemos ficar votando moção de aplausos, mudanças de logradouros, semana disto e daquilo. Precisamos ser relevantes na vida da população. O líder do governo disse que temos sete mil leis aprovadas que não são cumpridas, mas se aprovamos este tipo de lei, é claro que elas serão inócuas e não serão cumpridas. Precisamos aprovar leis que, de fato, mudem a realidade e ajudem o executivo a criar instrumentos para melhorar a vida das pessoas”, disse ela.

“Não podemos esquecer que há também uma disputa de poder aqui dentro, mas esta disputa não poderia interditar a capacidade que o vereador tem de legislar, pois este é o nosso papel”, disse.
A vereadora apontou que, se por um lado, há um esvaziamento do plenário, fato que foi apontado por diversos parlamentares na sessão desta terça, por outro, a presença dos pares no plenário não tem garantido a aprovação de leis relevantes.

Ela rebateu as justificativas jurídicas utilizadas pela CCRJ para a reprovação de PLs. “É muito improdutivo participar de uma Casa que tem seu poder legislativo completamente rebaixado e onde não podemos apresentar projetos relevantes sem que eles sejam considerados inconstitucionais, com vício de iniciativa, e o debate sobre isso não é aprofundado, como se o problema fosse a capacidade técnica de quem apresenta”.
“A violência contra a mulher é praticada em todas as classes sociais, portanto o município tem competência legislativa para atuar nesta questão e, neste mês, que é o Agosto Lilás, de combate à violência contra a mulher, seria muito importante que a Câmara aprovasse uma lei como essa”, lamentou.
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