Projeto proíbe uso de cigarro em parques municipais de Cuiabá

Câmara Municipal de Cuiabá
Em Cuiabá já é proibido por lei fumar em locais fechados e veículos de transporte coletivo. Agora, um Projeto de Lei apresentado nesta quinta-feira (05), no plenário da Câmara Municipal de Cuiabá, amplia a restrição do uso de cigarro, cigarrilha, charuto, cachimbo, narguile ou qualquer outro produto fumigeno derivado ou não do tabaco em parques públicos municipais na capital de Mato Grosso. A autoria é do vereador Toninho de Souza (PSD), que também foi o autor da lei antifumo em Cuiabá, sancionada em 30 de dezembro de 2009. “Dessa forma, ampliamos o cerco para reduzir o número de pessoas que se tornam fumantes passivos”, justifica o vereador, que tem a defesa da Saúde Pública como uma das suas bandeiras.
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A nova lei determina que a prefeitura se torne responsável pela fixação de placas de que ali é proibido fumar, as sanções aplicáveis e os números de telefones dos órgãos de fiscalização. Ao infrator fica estabelecida uma multa no valor de R$ 500,00 (quinhentos reais), aplicada em dobro em caso de reincidência. A cada ano, após sancionado, o texto define que o valor da multa seja reajustado pela Variação do Índice de Preços ao Consumidor (IPCA), acumulada no exercício anterior. Em caso de extinção do IPCA, o município poderá adotar outro índice criado por legislação federal. Para evitar flagrante, o fumante terá uma área especial dentro dos parques, desde que fique distante de parques infantis, áreas esportivas e demais espaços de concentração popular.
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“Quando tomei a iniciativa de criar a lei para proibir o uso de cigarros em bares, restaurantes, cinemas e transporte coletivo, no ano de 2009, Cuiabá ainda não tinha parques municipais como atualmente. Hoje a realidade é outra e ainda se faz necessário um freio para melhorar a qualidade de vida e contribuir com a redução das doenças provocadas pelo tabaco”, acrescentou Toninho de Souza. O parlamentar lembra que o fumo é responsável pela morte de um entre cada cinco homens e de uma em cada dez mulheres no Brasil. Um fumante introduz em seu organismo mais de 4.700 substâncias tóxicas com o consumo do cigarro. As mais conhecidas são a nicotina, o alcatrão e o monóxido de carbono, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
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O ator, diretor e produtor cultural Demétrio Arruda, diz que o cerco contra o tabaco chegou em boa hora. “Se tivéssemos medidas como essas décadas antes, hoje eu teria a companhia do meu pai, que morreu por insuficiência respiratória por causa do cigarro”. Ele conta que conviveu quando criança com o cheiro da fumaça e com as 4.720 substâncias tóxicas do cigarro, sendo 70 delas cancerígenas. “Nem por isso eu me tornei fumante. No entanto, me preocupo com as crianças que hoje caminham pelos parques e que podem se interessar pelo cigarro ou pelo falso modismo do narguile”.&nbsp Conforme o Ministério da Saúde, o fumo do narguilé pode provocar câncer de pulmão, boca e bexiga e doenças respiratórias. Uma hora de uso do narguilé é equivalente a tragar cem cigarros, de acordo com a estimativa da OMS.
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Dados do Inca (Instituto Nacional de Câncer) indicam que o tabagismo é diretamente responsável por 30% das mortes por câncer em geral, 90% das mortes por câncer de pulmão e 25% das mortes por doença coronariana.Segundo o Ministério da Saúde, 9,3% dos brasileiros afirmavam ser fumantes em 2018. Outro dado divulgado é que Cuiabá ocupa a 15ª posição no ranking das capitais brasileiras que mais fumam, com 7,5%. Salvador é a cidade com o menor números de fumantes (4,8%) e Porto Alegre o campeão (14,4%). Para Toninho de Souza os números preocupam. “Em 2017 Cuiabá era o 14º no mesmo ranking, e a pesquisa revela uma redução de uso de tabaco de 40% em nível nacional. Cerca de 16% da população adulta de Cuiabá é fumante e parte dela é frequentadora dos parques municipais”, explica.
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“Sou totalmente favorável ao projeto que proíbe o uso de cigarro em parques de Cuiabá. É uma medida corretíssima. É um projeto que reforça a nossa cidadania. Entendo que quem vai a um parque num grande centro urbano é porque está procurando respirar um pouco de ar puro”, diz o jornalista Jurandir Antonio Francisco. Acostumado a escrever sobre doenças relacionadas ao cigarro, ele alerta que quem está fazendo exercícios físicos num parque terá aumentada a sua frequência respiratória e, se no local, existem dezenas de pessoas fumando, evidentemente a pessoa vai respirar muito mais fumaça. “Ao invés de melhorar a qualidade de vida, pode adquirir algum problema de saúde andando num parque com fumantes”, justifica Jurandir.
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Outro problema nominado pelo jornalista, além da fumaça tóxica, são as bitucas de cigarros jogadas no chão dos parques que contaminam o solo. “De acordo com estudos científicos, o tempo de decomposição de uma bituca pode chegar a até cinco anos. E o mais grave é que uma simples ponta de cigarro contém, conforme estes estudos, mais de quatro mil substâncias tóxicas, o que prejudica o solo, além de contaminar rios e córregos. O projeto vem em boa hora”, completou Jurandir Antonio. Rosana Bortoleti é empresária e também apoia a iniciativa do vereador Toninho de Souza sob o ponto de vista da prevenção. Ela também defende outras medidas que contemplem campanhas educativas. “Trata-se de uma questão cultural. Temos que mostrar que o cigarro faz mal à saúde, suja a cidade, e deixa o ambiente com mal cheiro”, observa.

A Jornalista e corredora Daniele Danchura também é favorável ao Projeto apresentado pelo parlamentar. “Quem procura os Parques da nossa cidade seja para a prática esportiva ou para passear, quer encontrar nestes locais a possibilidade de respirar um ar limpo e puro, mas infelizmente isso não acontece, nos deparamos com muitos fumantes nestes espaços, e fazem uso do cigarro em todas as áreas dos Parques. E não é só a questão da fumaça, tem também a quantidade enorme de bitucas que são jogadas no chão. E nós sabemos, as pesquisas já comprovaram, que o cigarro faz mal para quem fuma e também para quem respira a fumaça. Este Projeto vem de encontro com o que já está sendo defendido em vários países do mundo e em cidades do Brasil”, explica.&nbsp

A Educadora Física Veridiana Ferraz, também defende a proibição de se fumar em Parques. “Diariamente temos pessoas buscando atividades físicas nos Parques para deixar o vício do cigarro, mas infelizmente lá acabam se deparando com pessoas fumando e literalmente jogando a fumaça no rosto de quem está ali correndo ou caminhando. Eu sou totalmente&nbsp a favor desse Projeto, as pessoas estão ali para respirar ar puro, buscando a melhora da saúde”.
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Toninho de Souza afirma que o objetivo principal é evitar a banalização do hábito de fumar em espaços frequentados por crianças e atletas. “Hoje, felizmente, em Cuiabá já não se fuma em boates, cinemas, restaurantes, pizzarias, além de corredores de prédios comerciais e residenciais, entre outros”. O vereador lembra que uma lei com o mesmo teor foi aprovada há uma semana em São Paulo e outras já foram apresentadas também pelas Câmaras Municipais de vários municípios brasileiros. “É uma tendência não apenas brasileira, mas mundial”. O parlamentar se refere a recente decisão da Walt Disney World, que também proibiu fumar cigarros comuns ou eletrônicos nos seus parques temáticos nos Estados Unidos. “No meu caso, a única fumaça que gosto é a que sai da churrasqueira”, finalizou Demétrio Arruda.

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