O presidente da Comissão de Saúde da Câmara de Cuiabá, vereador Ricardo Saad (PSDB), apresentou durante a sessão plenária desta terça-feira (19) relatório parcial da “Rota da Saúde”, que começou na última sexta-feira (15).
O parlamentar afirma que se surpreendeu com a atual situação da saúde pública do município. “Eu tinha uma perspectiva diferente do que nós encontramos. Achava que estava um pouco melhor, mas a situação está muito crítica”, disparou o tucano fazendo referência à policlínica do Planalto.
Para o vereador, o prédio poderia ser interditado facilmente, já que se encontra em péssimas condições estruturais e de higiene. “Esse lugar está incompatível para realizar atendimento médico.
Essa policlínica está passível de interdição da vigilância sanitária. A situação lá está muito feia. A vigilância tem que ir lá interditar, mas infelizmente quem vai perder é a população. Então, é melhor mantê-la aberta, por isso que não faço a denúncia”.
Além da policlínica do Planalto, Saad, acompanhado dos vereadores Renivaldo Nascimento e Oseas Machado, vice-presidente e membro da Comissão, respectivamente, também visitaram a policlínica do bairro Verdão.
A principal demanda da unidade é ausência de médicos, o que tem dificultado o fechamento das escalas de plantões noturnos e de finais de semana. A baixa remuneração seria o motivo da dificuldade na contratação.
O parlamentar ainda se indignou com o fato de as unidades de saúde não oferecerem exames ultrassom. As policlínicas de Cuiabá só realizam exames de laboratório e raio-x.
Como que uma policlínica ainda não realiza este tipo de exame? Isso pode atrasar o tratamento de um paciente porque ele vai lá, consulta e o médico o encaminha para a Central de Regulação para fazer a ultrassom e lá você espera 60, 90 dias para fazer o exame. Agora você imagina uma mulher grávida esperar tudo isso. Vou fazer o maior esforço para reverter isso”, critica.
A Comissão irá percorrer as quatro demais policlínicas nesta sexta-feira (22). A intenção do grupo é fiscalizar todas as unidades de saúde da Capital no período de um mês. Na próxima semana, começam as visitas às unidades do Programa Saúde da Família (PSF).
Após o término deste trabalho, será elaborado um relatório final qual a ser encaminhado para o prefeito Mauro Mendes (PSB) e com cópia para o secretário de Saúde, Kamil Fares. A Comissão dará um prazo de 60 dias para que o Executivo comece a tomar as providências cabíveis. Caso não seja feito nada, Saad afirma que fará a denúncias aos órgãos competentes e ainda pedirá a substituição do secretário.
“O descaso com a nossa população é muito grande. Isso não pode permanecer assim. O vereador tem força para denunciar, afinal, somos os fiscais do povo. Vou entregar o relatório e dar um prazo para que eles tomem as providências cabíveis. Caso isso não aconteça, vou pedir a cabeça do secretário e buscar os órgãos competentes”.
REPASSES – Saad ainda aproveitou seu espaço em plenário para denunciar o atraso, por parte do Governo do Estado e da Prefeitura no repasse para os hospitais conveniados do Sistema Único e Saúde (SUS).
De acordo com ele, o recurso oriundo do Ministério da Saúde entrou há uma semana, contudo, ainda não foi repassado aos hospitais. Desta forma, os anestesistas já estão se organizando para entrar em greve.