Diante do quadro cada vez mais grave da saúde pública da Capital, o doutor Carlos Alberto Souza Coutinho reivindicou, na tribuna livre da sessão ordinária desta terça-feira (16/06), no plenário da Câmara de Cuiabá, reajuste do Índice de Valorização de Qualidade (ICV) do Sindicato dos Médicos. Ele argumentou que é quase impossível trabalhar na tabela do Sistema Único de Saúde (SUS), e pediu aos vereadores da Capital que encapem junto à categoria essa luta.
“Fizemos greve para que houvesse renegociação, mas voltamos ao trabalho pelo motivo de que sentimos a necessidade da população, que sofreu sem o serviço”, pondera ele. O representante ainda apontou a falta de motivação dos médicos recém-formados em trabalhar no SUS devido ao baixo salário.
“Cuiabá está de portas abertas para o advento da Copa do Mundo e infelizmente, os médicos ainda estão preocupados com a questão defasada da saúde pública. A Federação Internacional de Futebol (FIFA) não vai aceitar a situação que se encontra em Cuiabá”, justifica.
Carlos Alberto observou na tribuna que não adianta fazer leis para a melhoria do município, se nem mesmo a saúde pública é de qualidade. “A saúde é o maior bem que possuímos, a pessoa que não tem saúde não pode produzir, trabalhar, temos que nos unir e batalhar para a melhoria da saúde pública, que é uma necessidade do ser humano”.
O vereador Domingos Sávio (PMDB) autor do convite ao médico, partiu em defesa da categoria e criticou a atitude do governo de grandes investimentos em obras para a Copa e esquecer um setor tão importante, a saúde do Estado.
“Estamos presenciando grandes investimentos em obras e não estamos vendo o mesmo investimento no social, no povo, a todo momento deparamos com greves na educação, segurança e saúde, enfim, precisamos da união dos poderes municipais, estaduais e federais, quem sabe assim, haja alguma melhoria,” ponderou o vereador.
O presidente da Câmara de Cuiabá, vereador Júlio Pinheiro (PTB), afirma que a discussão da saúde foi retomada, com maior ênfase, em janeiro deste ano, após sua posse. Por isso, ele defende o realinhamento das tabelas do SUS.
No final da explanação, o medico Carlos Alberto falou sobre a Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), segundo ele, os poderes públicos tem condições de gerir a saúde, no entanto, falta vontade política e boa gestão. “Não acredito que a OSCIP venha melhorar a situação que se encontra, tendo em vista que, ela não conhece o Estado, nem a situação e os problemas que presenciamos na saúde, o pior é que a OSCIP vai receber um valor bem maior, em verbas, do que é voltado para o setor atualmente,” finalizou o representante da classe.