INCOERENTES: Depoentes entram em contradição durante oitivas da CPI da Saúde

Francinei Marans
Abílio: estamos fazendo nosso papel, contribuindo para uma saúde melhor para o cidadão, buscando apurar como o dinheiro público está sendo empregado.
A oitiva da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde, realizada na tarde desta quarta-feira (26-09), junto à Câmara de Vereadores de Cuiabá, foi marcada por contradições diante das denúncias de “superfaturamento” de aquisições de insumos e medicamentos feitos pela administração do Hospital São Benedito, no ano passado.&nbsp

Uma das pessoas ouvidas foi a farmacêutica Isis Cristina Kisser Abou Rahal. A depoente chegou a confirmar situações de disparidades entre os valores dos produtos do mercado e os adquiridos.&nbsp Ela citou como exemplo, um relatório em que apontava a aquisição de um produto na ordem de R$ 4 mil, contudo, o valor de mercado era de R$ 400. “Isso acontece. Pode ser por erro humano ou do sistema. Daí entramos, imediatamente, com a equipe médica responsável pelo procedimento para apurar a situação”, explicou a farmacêutica, confirmando a discrepância do valor.&nbsp

Mesmo diante das evidências dos “erros” em documentos anexados junto à CPI, a farmacêutica, assim como secretário de Saúde, Huark Douglas Correia, em depoimento prestado na última sexta-feira (21-09), consideraram o relatório feito pela enfermeira Camila Cristina Nielli Pinheiro inconsistente, por não retratar a realidade das aquisições feitas pela unidade de saúde, prestadora de serviços hospitalares à Prefeitura de Cuiabá. Na época, o secretário atuava no corpo técnico do hospital.&nbsp

Entretanto, diante da convocação para prestar esclarecimentos sobre o fato também na oitiva desta quarta-feira, a enfermeira Camila assegurou que seguiu todos os protocolos do Sistema Único de Saúde (SUS) na composição dos estudos dos dados levantados no período entre os meses de outubro a dezembro de 2017. Tais procedimentos foram corroborados pelo relator da CPI, vereador Ricardo Saad (PSDB), que é médico há 36 anos e presidente da Comissão de Saúde da Câmara.&nbsp

“Parece que querem justificar algo que está irregular. Ele veio (Huark) aqui, resguardado por um habeas corpus, do qual ele podia dizer qualquer coisa”, frisou Saad, elogiando o trabalho feito pela enfermeira Camila.&nbsp

Também foram ouvidos nesta quarta-feira o ex-diretor à época, o médico Jorge de Araújo Lafetá Netto, a farmacêutica Raquel Proença Arantes e a enfermeira Patrícia Gavenda Rodrigues de Souza Cardoso. Essa chegou, inclusive, a afirmar que a enfermeira Camila não teria encaminhado à diretoria da qual era responsável, o referido relatório. Ela chegou a apresentar uma documentação aos membros da CPI, dizendo se tratar dos mesmos dados obtidos pela enfermeira Camilia. Entretanto, tal processo havia vários borrões.&nbsp

Diante dessas contradições, o relator chegou a salientar sobre a possiblidade de fraude. “O que está aparecendo é que há um desmando. Como é que em uma única receita médica há, por exemplo, 50 frascos de soro para o mesmo paciente, que morre em uma condição dessa”, contestou Saad.

Diante dos depoimentos, e de todo bojo de informações coletadas e ouvidas, o presidente da CPI, vereador Abilio Junior disse que desenvolvimento dos trabalhos vão prosseguir e que todo conjunto de provas coletadas até o momento já foram encaminhados ao Ministério Público, bem como os demais dados que serão produzidos até o final da CPI.&nbsp

“Estamos fazendo nosso papel, contribuindo para uma saúde melhor para o cidadão, buscando apurar como o dinheiro público está sendo empregado em benefício do cidadão”, falou Abilio.

Dana Campos
Assessoria Ver. Abilio Jr.
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