Carol Siqueira | Secom Câmara Municipal de Cuiabá
A vereadora Edna Sampaio (PT) está realizando a campanha “Em defesa da vida das mulheres”, voltada à discussão sobre o impacto da violência, principalmente as mulheres negras.
Entre as ações estão uma campanha nas redes sociais com informações e orientações sobre os diferentes tipos de violência sofridos pelas mulheres em seu cotidiano e como combatê-las, um vídeo com depoimentos de diferentes mulheres sobre a violência e material impresso com orientações.
A vereadora tem visitado os órgãos municipais de execução de políticas voltadas à mulher, entre elas a Secretaria Municipal da Mulher e a Delegacia Especializada de Defesa da Mulher, e se reunido com instituições do segmento para discutir o fortalecimento da rede de proteção à mulher vítima da violência na capital.
O combate à violência e a garantia da cidadania plena às mulheres são eixos de seu mandato, discutidos em um grupo de trabalho voltado às políticas para mulheres.
Ela informou que fará audiência pública sobre o tema e opinou que o esclarecimento às vítimas sobre a violência é urgente
“Estamos fazendo campanha para esclarecer as pessoas, para que as mulheres saibam o que é violência contra mulher, o que que está previsto em lei, quando você está sendo violentada. Porque às vezes, a mulher está sendo violentada e nem sabe que de fato aquilo é uma violência e que pode ser acionada a justiça”, comentou ela.
Esta rede precisa incluir, além das delegacias, os serviços de assistência social, saúde, geração de emprego e renda, de modo a abranger as diferentes dimensões da violência vivenciadas.
“A violência contra mulher vem acompanhada não apenas da marca do corpo, mas é todo o contexto social em que ela está inserida, que faz com que ela seja ainda mais vulnerável em relação à violência doméstica e, por isso, nós precisamos não apenas da delegacia, precisamos da assistência social, das unidades de saúde, inserir essa mulher  em programas de requalificação para conseguir acessar o mercado de trabalho, em alguma atividade, remuneração, renda que possa dar a ela  autonomia. Precisamos de todos os equipamentos de políticas públicas que possam dar atendimento à mulher numa rede entrelaçada”, disse.
A vereadora salientou que a violência física é o grau máximo de agressão, mas que ela é precedida da violência moral resultante da desvalorização econômica e social, que precisa ser vista pelos gestores públicos.  
“O entrelaçamento destas instituições precisa acontecer no município para que as violências possam ser enfrentadas pelos diferentes equipamentos do poder público. É isso que nós queremos construir no diálogo com as organizações de mulheres, com os equipamentos, com o poder público, estadual, municipal, federal que atue em Cuiabá e que nos ajude a proteger a vida das mulheres, esta é nossa grande tarefa neste momento e não é tarefa para um mandato apenas”.
Dados
Segundo o Atlas da Violência, publicado pelo Ipea em 2020, a cada duas horas uma mulher é assassinada no Brasil.
A violência tem cor. De acordo com o documento, entre 2008 e 2018, enquanto houve uma redução de 11,7% no índice de violência entre mulheres brancas, entre as negras houve aumento de 12,4%.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública de Mato Grosso, o número de feminicídios registrados no Estado foi de 42 em 2018 39 em 2019 e  65 em 2020.
A SESP-MT apontou de janeiro a dezembro de 2019, mais de 20,6 mil casos de ameaça envolvendo mulheres em Mato Grosso, número que caiu para aproximadamente 18 mil no mesmo período de 2020, o que representou queda de 12%.
Os registros de lesão corporal praticamente se mantiveram estáveis, passando de 10,3 mil para 9,6 mil, e houve crescimento no número de estupros, que subiram de 418 casos registrados em 2019 para 442, em 2020.
Em Cuiabá, também aumentaram os estupros, sendo que o número de 76 passou a 84 no período.
Já os registros de ameaça tiveram pequena redução: eram 4,1 mil em 2019 e passaram a 3,6 mil no ano seguinte e os de lesão corporal praticamente se mantiveram no mesmo patamar, com registro de 1,7 mil casos no primeiro ano e 1,6 mil no segundo.