Neemias Coelho - Câmara Municipal de Cuiabá
A Defensora Pública Rosana Leite, Coordenadora do Núcleo de Defesa da Mulher em Cuiabá, fez uso da palavra na Tribuna Livre durante a sessão ordinária desta quinta-feira (26), a convite do vereador Dilemário Alencar (Pros). 
Na oportunidade, apresentou uma pesquisa realizada por sua equipe com mulheres da Capital, a qual apontou que 98% das entrevistadas sofreram ou sofrem assédio sexual, ou ouvido falar ou presenciaram fatos em ônibus e pontos de parada do transporte coletivo desta capital.
Para surpresa de muitos, ela revelou que até mesmo homens – ainda que em menor número - revelaram que tem sofrido abusos dentro dos veículos e em locais de aglomeração. 
Em reunião com a MTU e a Secretaria de Segurança Pública surgiu a ideia de desenvolver um aplicativo de celular para facilitar a produção de provas e a denúncia dos fatos junto aos órgãos competentes.
O aplicativo é um instrumento que poderá ser utilizado também por pessoas que presenciarem os crimes e não somente por aquelas que sofrem a violência, identificando, inclusive testemunhas.
A Defensora afirmou que a pesquisa, “infelizmente, apenas constatou o já era esperado”. Essa situação tem cassado o direito de ir e vir das mulheres. “Hoje a mulher pensa se deve ou não sair de casa”, destaca Rosana Leite.
Para ela, esse quadro mostra que “a democracia e a cidadania não sendo a mesma para todos e todas”. 
O crime de importunação sexual está tipificado na lei brasileira desde 24 de setembro de 2018 (Lei nº 13.718), classificado como de médio potencial ofensivo e resulta na condenação de 1 a 5 anos de prisão. 
A Defensora ressalta que “um dia numa prisão como as que têm no Brasil, num sistema prisional que não ressocializa ninguém, é muito grave”.
O vereador Dilemário observou que a pesquisa da Defensoria não é muito diferente de pesquisas realizadas em nível nacional. Ele lamentou a falta de mulher no Parlamento Cuiabano.
Dilemário anunciou que a Câmara já aprovou um Requerimento de sua autoria para a realização de uma Audiência Pública para debater essa realidade de violência contra mulheres no transporte público.
Ele disse também tem recebido muitos vídeos de mulheres sendo abusadas nos coletivos.