CPI colhe depoimento de ex-governador Silval Barbosa

Câmara Municipal de Cuiabá

O ex-governador Silval Barbosa voltou a confirmar que o prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (MDB), recebeu dinheiro oriundo de propina que ele apoiasse os projetos do Executivo na época em que era deputado estadual, nos anos de 2012 e 2013.

A declaração foi dada durante oitiva nesta segunda-feira (02.03), na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) criada para investigar o prefeito Emanuel Pinheiro, e conhecida como "CPI do Paletó".

Segundo o ex-governador, ele repassava um "mensalinho" a deputados estaduais para que aprovassem projetos do Executivo e não atrapalhassem o andamento das obras da Copa do Mundo e do Programa MT Integrado.

Em uma dessas ocasiões é que o então deputado Emanuel Pinheiro foi flagrado recebendo maços de dinheiro e os colocando no paletó.&nbsp As imagens foram gravadas por Silvio Correa, ex-chefe de gabinete do Silval, e vieram à tona a partir do acordo de delação premiada firmada com a Procuradoria Geral da República (PGR).

&nbsp“Silvio não aguentou mais o inferno e fez a gravação. A gravação daquela fita era propina fruto de extorsão. Não tinha outra coisa. Nada a ver com pesquisa”, disse o ex-governador, em referência à alegação de Emanuel Pinheiro, de que o dinheiro seria fruto de uma dívida pelos serviços de pesquisa, supostamente prestados a Silval por seu irmão, Marco Polo Pinheiro.

Ainda segundo Silval Barbosa, o ex-secretário-adjunto da Secretaria de Infraestrutura (Sinfra), Valdísio Viriato, era o responsável por conseguir o dinheiro junto às empresas do programa MT Integrado, de asfaltamento de estradas, para repassar aos deputados.

Ao todo, foram pagos R$ 600 mil, em 12 vezes, e cada deputado recebeu R$ 50 mil. Ainda segundo Silval Barbosa, ele chegou a pagar R$ 15 milhões ao ano em mensalinho aos deputados estaduais. Os pagamentos dessas propinas ocorreriam no Palácio Paiaguás e também na Assembleia Legislativa.

"Como eu disse, o acordo foi feito com deputados para não criar problemas para mim no parlamento. Quando eu precisava de legislação, suplementação, eu ia ter ela na mão. Sem demorar. Mas ele [Emanuel] participou de todo esse esquema que eu narrei. Se é inocente? Fica aí a avaliação de vocês", afirmou.

Outras oitivas

Além do ex-governador Silval Barbosa, o ex-chefe de gabinete dele, Silvio César Corrêa, já prestou depoimento para a comissão e também reafirmou que o dinheiro se tratava de propina.

Também estão previstos outras duas oitivas. Valdecir Cardoso, que auxiliou Silvio Corrêa na montagem do equipamento que gravou Emanuel Pinheiro,&nbsp será ouvido em 09 de março.

Já em 16 de março será a vez do ex-secretário de Estado Allan Zanata, pois ele foi o responsável por gravar um áudio junto a Silvio Corrêa, cujo conteúdo supostamente colocaria em risco a delação do ex-governador Silval e, por consequência, o vídeo em que Emanuel Pinheiro é flagrado.

O áudio foi encontrado na casa de Emanuel Pinheiro durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão durante a Operação Malebolge.

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