Neusa Baptista/Gabinete Vereadora Edna Sampaio
A Carta de apoio ao governo Lula, que foi entregue pelos ambientalistas à equipe de transição, foi tema da tribuna livre nesta quinta-feira (24) na Câmara Municipal de Cuiabá, com a presença de uma das maiores autoridades em educação ambiental do país, Michele Sato,  ativista e  professora da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).
O documento, redigido por universidades, movimentos sociais, e redes progressistas ligadas ao meio ambiente, visa dar visibilidade e fortalecer a ideia da importância da educação ambiental nas políticas públicas.
Professora titular da UFMT,  mestre em Ciências e doutora em Filosofia, Sato é líder fundadora do Grupo de Pesquisa em Educação Ambiental, Comunicação e Artes (GPEA).  Segundo ela, a emergência climática e o desmatamento são preocupações centrais dos ambientalistas.
 “A destruição fatal das  florestas, provavelmente deve ter libertado patógenos capazes de provocar uma pandemia, como ocorreu em Wuhan, na China, e até hoje ainda assistimos ao surgimento de novas variantes. Nesse contexto, entregamos esta carta de apoio ao presidente Lula e queremos dar visibilidade para fortalecer a educação ambiental em todos os territórios”, disse Sato.
Segundo a pesquisadora, é necessário recuperar as conferências nacionais de meio ambiente, processos legítimos de construção de políticas públicas, fomentar uma educação ambiental sensível, que vise promover um diálogo entre gerações, e inserir o tema dos direitos da natureza na Constituição Federal.
 “Acreditamos que este é um momento oportuno para reavivar a educação ambiental brasileira, que foi esfacelada nos últimos quatro anos, inclusive com a anulação da lei 9795 [Política Nacional de Educação Ambiental]. Inúmeras entidades, movimentos, redes, universidades se reuniram e esse grupo construiu 13 propostas, que vão desde a efetivação desta lei, até o cuidado essencial com a questão da emergência climática, que está invisibilizada”, disse ela.
A pesquisadora alertou que a crise climática provocará mais mortes do que as causadas pela pandemia de Covid-19. “Além desse desastre climático que atingirá todos nós, sabemos que quem vai morrer são as pessoas economicamente desfavorecidas. Chamamos a isso justiça climática e essa é a nossa pauta”, disse. 
Edna Sampaio salientou que o governo Lula fez compromisso com a questão ambiental, transformando a política ambiental em uma pauta transversal, que atravessa todos os ministérios.  “Estamos vivendo um momento muito grave da emergência climática, o que significa um risco real e irreversível de destruição das condições do planeta para a sobrevivência dos seres humanos”, disse a vereadora.
“Sempre pensamos nos direitos humanos como sendo apenas dos seres humanos, mas a sociedade internacional, que discute os direitos humanos e a questão ambiental, já tem uma compreensão de que não se pode discutir isso de maneira desconectada das condições de vida  onde esses seres  se reproduzem”.