Walter Machado
Kamil Fares: 'A saúde está em 5º plano no País inteiro. Não podemos acompanhar essa tendência em Cuiabá'
Ao se pronunciar hoje (13-11) em plenário durante a audiência pública para debater a criação da Empresa Cuiabana de Saúde, o secretário Kamil Fares (SMS) foi enfático ao sublinhar que a saúde do País encontra-se em frangalhos. A audiência foi requerida pelos vereadores Allan Kardec - PT e Ricardo Saad - PSDB. "Queremos dissipar quaisquer dúvidas relativas ao tema", afirmou Saad.
Kamil Fares ocupou a tribuna para afirmar que "deixaram a Saúde em 5º plano, em nível nacional. Encontra-se um caos completo, por falta de investimentos". Mas o trabalho desempenhado em Cuiabá, a despeito das deficiências pontuais, observou, tem melhorado significativamente. "Lógico que ainda carece de melhorias, reconhecemos, algo em torno de uns 50%. Dispomos de equipe competente, porém prevalece uma série de dificuldades na parte ambulatorial, de diagnóstico".
O secretário citou como exemplo a falta de estrutura de atendimento emergencial no Pronto-Socorro de Cuiabá. "Os 100 índios com diarreia, participantes dos jogos indígenas no Sucuri, distrito da capital, não puderam ser atendidos. Se alguém precisar de consulta e internação no PS hoje terá dificuldade, em função da falta de leitos. O mesmo se diz de pacientes com sérias lesões cardíacas. Carência que poderia ser minimizada com a operacionalização do Hospital das Clínicas, com 120 leitos. Nossa ideia é colocar o Centro de Diagnóstico funcionando 24 horas. Porque, hoje, pacientes com câncer têm data marcada para morrer, é a realidade brasileira. Não podemos nos equiparar ao restante do quadro nacional".
Ele observou que 'o fator humano é grave na saúde pública'. "Quando o sujeito tem estabilidade, é rebelde. Não estamos aqui falando mal do estatutário. No entanto, é óbvio que o pessoal sem vínculo oficial com o município é mais fácil de trabalhar".
Representante do Sindicato dos Médicos de Mato Grosso, Eliane Curvo discordou de Kamil. "Milito na Saúde há 32 anos e nunca escutei algo assim, que estatutários são rebeldes. Pelo contrário: nesses 32 anos, tenho recebido elogios incontáveis no consultório e no desempenho das minhas funções na Saúde Pública. Infelizmente, em todos os lugares em que trabalhei, foi o Executivo que promoveu o desmonte da estrutura da Saúde, não os funcionários. Em resumo: nunca vou admitir escutar nenhum deputado federal nos chamar de vagabundos ou um secretário de Saúde denominar nossa categoria de 'rebelde'. Você {Kamil Fares} jogou o caos da Saúde em cima das costas dos funcionários. Vamos ser sérios, Kamil. É fato que Cuiabá precisa de leitos. Se o titular da Saúde não tem competência para gerenciar, que entregue o cargo então".
POLÊMICA
Uma das maiores dúvidas dos parlamentares é quanto à abrangência do projeto. Enquanto o secretário de Saúde, Kamil Fares (PDT), afirma que a empresa foi criada apenas para gerir o Hospital das Clínicas de Cuiabá, que será reaberto no início do ano que vem, a mensagem, em uma de suas cláusulas afirma que ela tem o poder de administrar qualquer unidade de saúde da Capital.
Além disso, o Conselho Municipal de Saúde afirma não ter apreciado esta proposta antes de ser encaminhada à Casa de Leis. De acordo com a entidade, o que passou por lá foi uma proposta diferenciada.
"Esperamos exaurir toda e qualquer dúvida quanto a isso nesta audiência. Já analisamos o projeto inteiro e vamos aproveitar e sta oportunidade para fazer esta discussão junto com a sociedade. Se precisar fazer alterações, com certeza serão feitas. Aprovamos apenas a criação desta empresa para administrar o Hospital das Clínicas e não todas as unidades de saúde", pontua Saad.
João Carlos Queiroz Secom/Câmara c/Assessoria de Gabinete